EINSTEIN E A INSCIÊNCIA DAS ELITES

O homem, desde sua origem, foi agraciado pela própria natureza com o atributo que o qualifica como um ser humano, isto é, um ser bondoso e humanitário. No princípio ele vivenciava a paz em seu coração, em perfeita harmonia com a natureza, num verdadeiro enlace com a beleza do universo ao seu redor, onde permanecia em perfeita união consigo mesmo, desfrutando as maravilhas que a vida lhe oferecia em abundância.

Eis que num determinado momento um pensamento criativo lhe invade o ego. Impulsionado pela necessidade, o futuro artífice, passa a idealizar seus próprios utensílios. Com o passar do tempo ele se deslumbra com seu progresso. São inventos cada vez mais requintados, da flecha á ogiva nuclear, do carro de boi á espaçonave, do ábaco á informática, do papiro ao computador.

Desponta assim uma geração de pesquisadores formada por cientistas puramente tecnólogos com tendência mercantilista, voltados para uma infinidade de tecnologias cada vez mais atraentes, com o propósito de induzir as pessoas ao consumismo sem limites para obter lucros financeiros.

Ao repassar seus processos tecnológicos para os fabricantes, o cientista estaria fomentando o parque fabril que, para produzir cada vez mais, requer o deslocamento do trabalhador para a proximidade do local de trabalho. Assim, o homem modesto que era feliz, mas não sabia, passou a morar nas aglomerações urbanas próximas das fábricas, deixando para traz suas origens, seus sonhos e limitando sua relação com a natureza, perdendo grande parte de sua paz interior, tornando-se proletário.

Assim o proletariado forma a ponte, de um lado, a elite acadêmica dos tecnólogos preocupada apenas em criar facilidades e benesses para o corpo — Do outro lado o mercantilismo gerando riquezas mal distribuídas.

Não somos contra o desenvolvimento tecnológico, mas não podemos negar nossa natureza dual, assim para acabarmos com a defasagem e o descompasso entre as ciências exatas e as ciências humanas se faz necessário uma urgente correção de rumos que permita incluir no pacote a dinâmica da ética humana tão pouco valorizada.

No momento em que o Comitê Sueco de Ciência, rejeitou a equação einsteiniana e acolheu o equivocado modelo padrão do átomo divisível bohreano, também decretou o fim do iluminismo, confirmando a insciência reinante na elite acadêmica, revelando seu lado obscuro e por extensão, obscureceu também a política e a religião.

Para demonstrar o ritmo ternário, o atomismo democritiano (460 – 370 a. C.) coloca em evidência a lei universal da tese (ciência) da antítese (política) de onde emerge a síntese (religiosidade).

Hegel (1770 – 1831) o mais importante filósofo do idealismo alemão retoma esse rito de três tempos e faz dele a grande lei do mundo, portanto, todo o ser humano pensa ciência, pratica política e vivencia a religiosidade que resulta de seus pensamentos e ações, independente de pertencer ou não a uma sigla partidária ou a uma seita religiosa.

A cerca do obscurantismo, Einstein afirmava que:

“A ciência sem religião é paralítica, a religião sem a ciência é cega”.

O obscurantismo se perpetuará, e a ciência não será inaugurada sem que haja o total abandono dos falsos paradigmas promovidos pela doutrinação insciente dos entes acadêmicos na ordem como segue:

I – O físico teórico desconhece a essência de sua disciplina quando ignora o paradigma da dinâmica do átomo indivisível (gr. atomos; indivisível) subjacente na equação einsteiniana.

II – O cientista político desconhece a essência de sua disciplina quando ignora o paradigma da dinâmica da ética humana, inerente a todas as ações do homem. (O ser humano é politômico por natureza)

III – O teólogo desconhece a essência de sua disciplina quando ignora o paradigma da dinâmica da religiosidade humana, que emerge das ações éticas praticadas pelo homem consciente. (Nenhum ser humano é ateu)

Na medida em que o cientista ignora sua própria natureza dual caracterizada pela dualidade — alma corpo — matéria massa — Eu físico Eu metafísico — se afasta cada vez mais da precípua necessidade de conhecer-se a si mesmo e por extensão, conhecer o “modus operandi” das ações éticas que geram benesses para a alma.

Ao mesmo tempo em que surgiram os tecnólogos também surgiram os teólogos, porém estes, forjados nos moldes estabelecidos pela dogmática, pela patrística e pela escolástica.

Com o propósito de convencer o maior número de fiéis a aceitarem o paradigma da crença e da fé cega no mito, a insciência criou o falso paradigma do antropomorfismo (gr. anthropos: homem, morphé: forma).

O pior cego é aquele que não quer ver, desde os primórdios da civilização até nossos dias, os fatos registrados pela história demonstram sobejamente que o antropomorfismo é um projeto fadado a desaparecer, pois na prática se revelou inócuo sem a menor eficácia, sobrevive sustentado pela ilusão do efeito placebo que pode abrandar o efeito, mas nunca poderá curar a causa.

Einstein, o maior gênio da ciência de todos os tempos assim se referiu em relação ao antropomorfismo:

“Não posso conceber um deus que premia e pune suas criaturas, nem um Deus que possua uma vontade igual a que experimentamos em nós”.

Mesmo com a melhor das intenções, na prática, a imperícia das elites da ciência mal interpretada, da política mal aplicada da religião mal compreendida impede que a humanidade alcance o discernimento suficiente para compreender a dinâmica da ética humana necessária para humanizar o homem e torná-lo livre para que possa cumprir seu propósito original de ser feliz aqui e agora. O antagonismo entre a ciência e a religião, motivado pela insciência das duas partes, sempre foi uma constante, e culminou com a concepção escolástica “Philosophia ancilla theologiae” imposta nos moldes seguintes:

“As leis escritas no livro da natureza estariam subordinadas as leis escritas no livro dos homens — a ciência estaria subordinada á crença e a fé cega no mito — a filosofia estaria subordinada á teologia”.

Este antagonismo insciente deixou Einstein indignado levando-o a expressar sua indignação no contexto seguinte:

Duas coisas são infinitas, O universo e a estupidez humana”.

O obscurantismo científico até hoje se perpetua no falso paradigma do átomo divisível e o obscurantismo teológico se perpetua no falso paradigma do antropomorfismo.

Novamente revoltado e Indignado, Einstein conclamou as elites da ciência da política e da religião para revelar a verdade, no contexto seguinte:

Porque é que a sinagoga, a igreja e o próprio governo não diziam a verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre o homem? Porque essa permanente camuflagem? Que intenções secretas tinham as autoridades civis e religiosas para manter o homem nessa ignorância?“ (Huberto Rohden – O ENIGMA DO UNIVERSO – Aurora, 6ª edição, pg.39).

Nós, o povo, que pagamos impostos e dízimos, verdadeiros carregadores do piano, até hoje estamos aguardando que as elites acadêmicas, com a humildade que todos nós devemos ter, se pronuncie num desagravo ao maior gênio da história e diga de alto e bom som para toda a humanidade ouvir, ‘erramos’, Einstein estava certo, reconhecemos a unidade de matéria subjacente em sua equação E=mc² como o único “Ser” absoluto (E=MC³C²C²) de onde emerge a verdade nazarena (aquilo que é) que pode reascender o iluminismo para inaugurar a ciência e salvar a humanidade do obscurantismo em que se encontra imersa. Sem o reconhecimento da interação que existe entre o pensar (ciência) o agir (política) e o vivenciar (religiosidade), não há salvação.

valeriofornari@gmail.com

 

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